sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Doce novembro


357º dia / 9º filme

Filme: Doce novembro

Ano de lançamento: 2001

Direção: Pat O’Connor

Existem alguns filmes aterradores. Doce novembro é um deles, é um filme que tem problemas, como todos os outros, eu mesmo, ao re-assistir o filme alguns anos depois de lançado no cinema, pude encontrar algumas falhas, como por exemplo a câmera de segunda linha que foi usada para a película ser rodada, que lembra as câmeras da TV Record no início dos anos 1990, com uma imagem amarelada, sem graça, desfocada, estranha. Com doce novembro, mesmo com problemas tão primários como esse da câmera, não atrapalham em nada, absolutamente nada a narrativa. O filme continua sendo maravilhoso, meio piegas, mas nem por isso, menos encantador. O filme é mágico, sensacional!

A química do casal principal (Keanu Reeves e Charlize Theron), que fizeram, “O advogado do diabo”. Particularmente penso que o Keanu Reeves é mais bem aproveitado no “O advogado do diabo”, porque ele tem uma cara de mal, meio bombadinho, marrento, com a voz grossa demais para o personagem Nelson, fazendo contraponto à Nelson, Sara (Theron) é toda doçura, e que atriz multifacetada essa viu, de apaixonada apaixonante à operária de mina de carvão. Enquanto ela tem muita facilidade de representar vários personagens, ele é mais restrito, e nesse filme fica claro o motivo, pois ele tem dificuldade de interpretar personagens com cargas sentimentais muito grandes. Desta forma o casal ficou bastante interessante, por conta deste contraponto dos atores centrais.

O longa-metragem é uma refilmagem de um filme chamado “Toda a minha vida”, de 1968, e dá certo, a meu ver, por que o diretor aposta e fecha o foco, como pouco se vê no cinema, e é essa a grande jogada dele, o foco, a verticalização da trama, que gira entorno do amor sendo a grande razão para viver e o dinheiro não comprando a felicidade, e como bem sabemos, essa fórmula tratada com desvelo e carinho sempre dá muito certo.

A película permeia o drama, a comédia romântica e o romance em si. Não me arriscaria tentar enquadrá-lo em uma categoria única, pois não conseguiria, ele tem elementos clássicos do drama, sacadas interessantíssimas e muito elegantes , diga-se de passagem, da comédia romântica e elementos do romance. A película é muito bem amarrada com uma trilha sonora belíssima. Quem aposta que não sou fã de Enya, vai acertar em cheio, acho a voz dela melosa chatinha e cansativa, mas “Only time” interpretada por ela é surreal, e a sequência principal onde a música é utilizada é particularmente muito bonita.

O filme conta a história de um publicitário (Nelson) louco pelo trabalho, que se vê as vésperas de uma grande apresentação e tem a carteira de habilitação vencida, tendo que fazer um teste para a revalidação, durante o teste escrito chega uma hiponga derrubando tudo, e essa é Sara, a personagem de Theron, ele pede cola, e ela é tem a prova suspensa, ai a história passa pela mesmice de sempre até que eles se vêem envolvidos e ela conta que fica com um homem por mês, e propõe que ele seja o seu “novembro”, ele acaba aceitando, descobrindo que aceitando o trato quem dita as regras é ela, e ela propõe um desligamento do mundo, uma mudança de vida para Nelson. Vemos nessa parte específica do filme, cenas que são verdadeiros clichês do cinema, mas que ficaram lindas e muito bem amarradas ao enredo.

O curioso do filme, e que desperta crítica por parte dos espectadores, mas que eu admiro muito é a consciência que o diretor teve ao finalizar o mesmo, porque ele simplesmente termina como começou, do nada, pois o filme contextualiza uma realidade muito particular em um período definido, dando margem para pensamentos posteriores, mas sem tomar partido para qualquer um deles. Quando Nelson encontra os remédios de Sara, e ela explica que tem uma doença terminal, isso fica sensacional narrativamente falando, pois ao fim do mesmo, ela simplesmente some, não dando a entender nada, nem se ela morreu, nem que foi se tratar, ou que apenas fugiu.

A Charlize Theron tem um olhar que é expressão pura, uma boca linda, o Keanu é menos expressivo, mas é inegável que eles formaram um casal bonito, que você é capaz de torcer para que fiquem juntos. É um filme interessantíssimo, apaixonante, você tem vontade de assistir com alguém muito especial ao lado, torcendo junto com você pelo casal do filme.

4 comentários:

  1. Realmente, você disse algo que é verdade, é impressionante o como ele consegue prender a atenção terminando da mesma forma que começou.. "Do nada". Muito bom suas criticas... Parabéns! Att. Victor.

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  2. Amiiigo, vc tá começando a ficar bom! rsrsrs
    brincadeira! Desde o primeiro post sempre fez críticas muito boas. Algumas imparciais outras nem tanto mas todas otimas. Parabééns! =]

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  3. Adoro esse filme... Muito lindo ele... em alguns momentos da minha vida acabei chorando com esse filme. Amigo você está de parabéns, com os filmes e os comentários sobre os mesmos muito legal. Só que não concordo com o que você se referiu na trilha sonora sobre a cantora ENYA, pois a voz dela não é chatinha e nem melosa, mas digamos que sou meio suspeito de falar isso, afinal sou fã de carteirinha dela...hehe...
    Parabéns amigo, muito bom seu blog.

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  4. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk obrigado pelo comentário e olha que me contive para falar da Enya, realmente ela não me agrada, only time interpretada por ela ficou sensacional nesse filme.

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