
348º dia / 19º filme
Filme: Laranja mecânica
Ano de lançamento: 1971
Direção: Stanley Kubrick
O Rodrigo Cunha, do Cineplayers, classifica o filme “Laranja mecânica”, como sendo ao mesmo tempo, divertido e cruel, fascinante e perturbador, como uma reflexão que nos traz medo, sendo ousado e intrigante, trazendo Stanley Kubrick em sua melhor forma. É interessante que o Kubrick utiliza de toda sua força e seu vigor, como diretor para controlar os filmes com mão de ferro, e é isso que vemos nesta obra memorável do cinema do século XX.
O livro de Antony Burgess, conta, a partir de uma narrativa extremamente complexa um trecho da vida de Alex De Large, garoto, que vive as custas da mãe, e pertence a uma gang juvenil. E o filme retrata maravilhosamente bem o livro, recriando diálogos e nos causando estranhamento maior que o da própria leitura, pois somos levados à uma sociedade degradada, confrontando o excesso de cores à falta dela, cada uma com seu simbolismo específico.
Quando o filme foi gravado, esperava-se que a realidade que ele retrata fosse algo longínquo, distante de qualquer referência do século XX, mas vendo o filme hoje, percebemos que estamos a viver os insanos tempos de uma suculenta e mecânica laranja. O filme retrata a realidade de um grupo de jovens delinquentes que não se importa de forma alguma com a lei e a ordem, e fazem o que querem, e o que eles querem é o pior, estuprar, roubar, matar. Causar a dor e o sofrimento, utilizando o conceito mais trabalhado no filme “ultraviolência”. A violência neste filme nos é mostrada de forma performática, física e psicológica, uma hipocrisia social, um cinismo que impera. Nós somos apresentados à esta sociedade pelo próprio Alex, que como mencionei, faz parte de uma gang juvenil, que após determinados atos, Alex é preso e posteriormente entra em um programa de reabilitação, onde a pessoa é confrontada com a violência das diversas formas que ela pode ser vista, ao fim do processo de reabilitação ele passa a sentir nojo da mesma, por conta da exposição excessiva à formas de violência existentes.
A narrativa do filme, que conta no livro é o que mais impressiona, utilizando de expressões inexistentes. Absolutamente tudo comunica visualmente com o espectador, e um fator muito específico é o nosso anti-herói, que possui características extremamente enaltecidas pela nossa sociedade, como a repulsa a sujeira, etc. Principalmente a trilha sonora é trabalhada de forma anárquica, a música clássica representando a violência pulsante nas veias desta sociedade.






