domingo, 30 de janeiro de 2011

Esqueceram de Mim


355º dia / 11º filme

Filme: Esqueceram de mim

Ano de lançamento: 1990

Direção: Chris Columbus

Quem nunca assistiu em algum momento da vida o filme “Esqueceram de mim”, com Macaulay Culkin? Boa parte do ocidente cresceu junto com esse garoto, e como quase todos que o viram, sentiram as emoções que aquele garotinho em apuros passava. Quem nunca deu boas gargalhadas com os 1001 truques criados por Kevin para conseguir sair ileso e defender sua casa dos ladrões.

Me lembro que a primeira vez que vi esse filme, foi em uma noite de natal, atualmente ele vem sendo reprisado sem o menor respeito, para com as pessoas que foram marcadas por ele. Eu penso que determinados filmes jamais poderiam ser exibidos durante o dia, pois perdem o encanto, como é o caso de “Esqueceram de mim”, as crianças chegaram a um patamar de digitalização que perderam o encanto.

O filme como vários outros, tem trocentos problemas, com um roteiro fraco, mas extremamente inusitado, o filme é muito bonitinho, no melhor uso do termo, no diminutivo por conta da carga de sentimentalidade que esse filme carrega por quem foi marcado por ele geração pós geração.

Quem nunca se imaginou na pele de Kevin, o garoto esquecido pelos pais na casa, nas proximidades do natal. Nossa imaginação voava junto com a mente fértil do garoto esperto que se safava das adversidades protegendo a si mesmo e a sua casa, se vendo na obrigação de crescer naquele instante, mas sem perder a ternura e a beleza que só a infância poderia propiciar. O filme tem problemas? Sim. Eles são relevantes? Nenhum pouco!

O Oscar 2011


O Oscar 2011 está chegando, acontece dia 27 de fevereiro no Kodak Theater , e esse ano para nossa surpresa, a cerimônia não será apresentada pelos velhos conhecidos (tanto na idade quanto na apresentação). A academia finalmente está percebendo que os tempos mudaram e resolveram convidar este ano 2 atores da nova geração, que são considerados os grandes atores do amanhã. São eles, James Franco e Anne Hathaway, acredito que justamente pela escolha destes dois grandes atores, podemos esperar surpresas na noite do dia 27, e como todo mundo anda dando os seus palpites, palpitarei também.

A primeira grande premiação é melhores efeitos visuais, onde concorrem:

A Origem

Alice no País das Maravilhas

Além da Vida

Homem de Ferro II

Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I

Quem me conhece sabe que sou fascinado pela série de filmes “Harry Potter” e adoraria mesmo que ele levasse esta estatueta, porque esse filme já acompanhou uma geração toda, só que reconheço que infelizmente ainda não será desta vez que vai levar o tão sonhado Oscar. Espero realmente que Harry Potter ganhasse muitos Oscars em 2012 coroando essa série de filmes que tanto contribuiu para o cinema e para a imaginação de tanta gente. Particularmente acredito que Melhores efeitos visuais está dividido entre “A origem” e “O homem de ferro II”, embora eu aposte que quem ganha é “A origem ganhar”, que como o casal de apresentadores revigora os conceitos da academia.

Na categoria “Melhor maquiagem”, concorrem:

A Minha Versão do Amor (Barney’s Verson)

Caminho da Liberdade (The Way Back)

O Lobisomem (The Wolfman)

Eu só vi “O lobisomem” e acredito que ele não mereça ganhar de forma alguma, e por não conhecer os outros filmes, não arrisco um palpite.

Na categoria “Melhor edição de som” concorrem:

Incontrolável

Toy Story 3

Tron – O Legado

Bravura Indômita

A Origem

Normalmente o que se vê em melhor edição de som e melhor mixagem de som é que ocorra uma dobradinha, ou seja, o prêmio para o mesmo filme, acreditando nisto, meu palpite vai para “A origem”, porém “Tron” (mesmo com todas as críticas) e “incontrolável” também tem boas chances.

Melhor “Mixagem de som”, concorrem:

Salt

A Origem

O Discurso do Rei

Bravura Indômita

A Rede Social

Como eu disse, acredito que “A origem” vá ganhar, embora “A rede social” tenha mais possibilidades e mereça mais, vamos ver se as mudanças vão afetar esta categoria ou não. Bravura indômita é indiscutivelmente um grande filme, mas merece prêmios por outros méritos, não mixagem de som e “Salt” seria uma boa indicação para atriz, já que a Angelina Jolie tenta tanto mais uma estatueta, e sua atuação como a espiã fora muito boa, embora o filme tenha sido um fracasso de bilheteria.

Melhor “Filme estrangeiro”:

Fora da Lei (Hors-La-Hoi, Argélia)

Dente Canino (Dogtooth, Grécia)

Em Um Mundo Melhor (In a Better World, Dinamarca)

Biutiful (México)

Incendies (Canadá)

Eu não vi nenhum dos filmes, mas o que tem-se ouvido na crítica especializada é que Biutifil seja o mais indicado a ganhar.

Melhor “Canção original”:

Enrolados (“I see the light”)

127 Horas (“If I rise”)

Country Song (“Coming home”)

Toy Story 3 (“We belong together”)

Nenhuma das quatro músicas conseguiu me marcar, porém nesta premiação existem grandes chances de “Toy story 3” ganhar, como uma espécie de prêmio de consolação, onde a academia diz, “reconhecemos o trabalho de vocês, mas ainda não estamos prontos para dar a uma animação o Oscar de melhor filme.”

Em melhor “Trilha original” concorrem:

A Origem (Hans Zimmer)

Como Treinar o seu Dragão (John Powell)

127 Horas (A.R. Rahman)

A Rede Social (Trent Reznor e Atticus Ross)

O Discurso do Rei (Alexander Deaplat)

A partir deste prêmio, começamos, a meu ver, visualizar os grandes campeões da noite, que como no Globo de Ouro serão “A rede social” e “O discurso do rei”, mas acredito que este prêmio em particular esteja dividido entre “A rede social” e “127 horas”, acreditando eu, que “A rede social” vá levar a estatueta.

Na categoria “Melhor figurino” concorrem:

Alice No País das Maravilhas

The Tempest

I Am Love

Bravura Indômita

O Discurso do Rei

Como eu disse sobre “Harry Potter”, eu adoraria que “Alice no país das maravilhas” ganhasse esse prêmio, embora eu acredite que ele não tem a menor chance de ganhar, o prêmio teoricamente está dividido entre “Bravura indômita” e “O discurso do rei”, ambos merecem muito, porém quem ganha é “O discurso do rei”.

Na categoria “Melhor direção de arte” concorrem:

Alice no Pais das Maravilhas

Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I

Bravura Indômita

A Origem

O Discurso do Rei

O prêmio nesta categoria está a meu ver, dividido entre “A origem” e “O discurso do rei”, penso que “A origem” vá ganhar por conta da originalidade do roteiro e artisticamente falando, pela forma que este roteiro nos foi apresentado.

Na categoria “Melhor Fotografia”, os indicados são:

Bravura Indômita (Roger Deakins)

A Origem (Wally Pfister)

Cisne Negro (Matthew Libatique)

O Discurso do Rei (Danny Cohen)

A Rede Social (Jeff Cronenweth)

Nesta categoria, o páreo está entre “Bravura indômita” e “O discurso do rei”, levando a estatueta, “Bravura indômita”.

Na categoria “Melhor edição”, concorrem:

Cisne Negro

O Vencedor

O Discurso do Rei

127 Horas

A Rede Social

Acredito que indubitavelmente o prêmio vá para “A rede social” por conta de todos os méritos que lhe foram atribuídos em uníssono pela academia de cinema.

No quesito “Melhor roteiro adaptado”, concorrem:

Inverno da Alma, por Debra Granik e Anne Rosellini

127 Horas, por Danny Boyle e Simon Beaufoy

Toy Story 3, por Michael Arndt

A Rede Social, por Aaron Sorkin

Bravura Indômita, por Joel e Ethan Coen

Penso que o prêmio esteja dividido entre “Inverno da alma” e “A rede social”, apostando novamente belíssimo trabalho de David Fincher, em “A rede social”.

Na categoria “Melhor roteiro original”, concorrem:

Another Year, por Mike Leigh

O Vencedor, por Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson

A Origem, por Christopher Nolan

Minhas Mães e Meu Pai, por Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg

O Discurso do Rei, por David Seidler

Gostaria muito que “Minhas mães e meu pai” ou “o vencedor” ganhasse, mas o que se vê é que o prêmio é de “O discurso do rei”.

Na categoria “Melhor atriz coadjuvante”, concorrem:

Melissa Leo (O Vencedor)

Amy Adams (O Vencedor)

Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)

Hailee Steinfield (Bravura Indômita)

Jack Weaver (Reino Animal)

Eu acredito que a Hailee Steinfield vá conseguir a estatueta , embora Melissa Leo e Amy Adams mereçam da mesma forma.

Na categoria “Melhor ator coadjuvante”, os indicados são:

Christian Bale (O Vencedor)

Jeremy Reener (Atração Perigosa)

John Hawkes (Inverno da Alma)

Mark Ruffalo (Inverno da Alma)

Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

Geoffrey fez um trabalho lindíssimo, mas esta estatueta tem dono, e ele se chama Christian Bale.

Na categoria “Melhor atriz”, as indicadas foram:

Natalie Portman (Cisne Negro)

Nicole Kidman (Reencontrando a Felicidade)

Annete Bening (Minhas Mães e Meu Pai)

Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)

Michelle Williams (Blue Valentine)

Se o Globo de Ouro se repetir o páreo está entre Natalie Portman e Annete Bening, ambas merecem muito, por conta de suas lindas atuações, porém eu torço para que o trabalho de Michelle Williams seja reconhecido. Esta categoria é uma das mais bem representadas, pois todas as atuações ficaram impecáveis, mas fica minha torcida por Michelle Williams.

Na categoria “Melhor ator”, os indicados são:

Colin Firth (O Discurso do Rei)

Jesse Eisenberg (A Rede Social)

Javier Bardem (Biutiful)

James Franco (127 Horas)

Jeff Bridges (Bravura Indômita)

O James Franco entra nesta categoria apenas como frescor, reforçando, novamente que a academia aos poucos está modificando seus pensamentos arcaicos, mas o prêmio, embora eu discorde, vai para o marido de Penélope Cruz, o sr. Javier Bardem. Muito tem-se falado sobre o Jesse Eisenberg, ele representar bem é uma coisa, porém ser um ator maravilhoso é outra. Até agora ele se destacou nos papeis que fez, todos de personagens esquisitões, porque ele é assim, esquisitão, desengonçado, fala rápido demais, com cara de paranóico. Ele ainda tem que me provar que consegue representar outros tipos de papeis, senão jovens com fobias sociais.

Na categoria “Melhor diretor” concorrem:

Darren Aronofsky (Cisne Negro)

Joel e Ethan Coen (Bravura Indômita)

David O. Russell (O Vencedor)

David Fincher (A Rede Social)

Tom Hooper (O Discurso do Rei)

Nesta categoria os grandes nomes são os que mais se repetiram na noite “o discurso do rei” e “A rede social”, acredito que David Fincher e todo o frescor,toda a juventude, agilidade, segurança, pulso firme renderão a ele esta estatueta.

E chegamos ao grande vencedor da noite, o reconhecimento de um trabalho incomparável durante o ano que se passou. Os indicados, são todos vencedores por chegarem à grande premiação, onde as indicados são:

Toy Story 3 (Toy Story 3)

Inverno da Alma (Winter’s Bone)

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right)

O Vencedor (The Fighter)

127 Horas (127 Hours)

Bravura Indômita (True Grit)

Cisne Negro (Black Swan)

A Origem (Inception)

A Rede Social (The Social Network)

O Discurso do Rei (The King’s Speech)

Eu gostaria muito que “Toy story” ganhasse, sendo reconhecida como grande potência do cinema, e fábrica de sonhos, sendo recompensados todos os esforços da trilogia “Toy story”, porém acredito que as possibilidades sejam mínimas, pois a Pixar ainda é considerado um estúdio que produz animações para crianças. Minhas Mães e meu pai é um filme bem feito, com vontade de dar certo, com todos os méritos à sua diretora, porém não será dessa vez que vai levar o Oscar para casa. O vencedor foi a meu ver a grande surpresa do ano, muito bem dirigido e gravado, mas por conta dos concorrentes, “O vencedor” não ganha. A briga da noite, como eu disse antes é de “O discurso do rei” e “A rede social”. O discurso do rei foi ganhando espaço aos poucos, ficando conhecido, levando o público ao cinema, tirando ótimas críticas, mas o vencedor da noite a meu ver é “A rede social”, sem sombra de dúvidas. Me senti redimido, em um ano de tanta porcaria que vi no cinema, quando vi “A rede social”. Que roteiro, que atuações, que direção, que história. O mito contemporâneo contado em seu tempo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Conta comigo


356º dia / 10º filme

Filme: Conta comigo

Ano de lançamento: 1986

Direção: Rob Reiner

Enquanto o livro “o apanhador no campo de centeio” prioriza os dilemas e conflitos de uma geração citadina, o conto “O corpo” de Stphen King, traduz, a meu ver o que seria o retrato da geração do pós guerra, no campo. Uma geração, pobre, sem expectativas, em meio a um núcleo social atrasado e desiludido, esquecido pelo progresso. Com um roteiro aparentemente muito simples, mas que por conta de nossas lembranças, de amigos que já fizeram ou que ainda fazem parte de nossas vidas. O roteiro torna-se complexo, denso, coeso e sem pausas, ao fim da projeção que você para e relembra, a partir dos referenciais que cada qual traz consigo, assim como Stephen King a meu ver, traz muito de sua biografia para o conto.

Em uma sociedade mínima, com pouco mais de 1200 habitantes, onde 4 amigos resolvem se juntar para procurar um corpo de um garoto da mesma idade deles que desapareceu ,em busca de visibilidade social (odeio esta expressão, mas usemos assim mesmo). Eles saem em busca desse corpo, cada um inventa uma desculpa para sua família, só que nesta viagem em busca do corpo, que eles encontram ao fim, eles descobrem muito mais, encontram o significado da amizade. O diretor consegue traçar o que seria a visão, o olhar daquela juventude sobre sua própria adolescência.

O filme é um clássico da Sessão da tarde, prioritariamente ele é um retrato de jovens, e prioriza dobre tudo a amizade. É narrado em primeira pessoa por um dos garotos, já na velhice, como grande escritor. Stephen King traduz em seu conto, que é adaptado maravilhosamente para as telas, a personificação de uma geração, onde os laços de amizade constituem-se à medida que a confiança é enaltecida e na medida que eles passam a acreditar mais nos uns nos outros, pois confiando mais nos amigos, eles tornam-se mais auto-confiantes. E esses laços são constituídos, tanto na tela, quanto para nós, espectadores, pois à medida que vamos vendo e principalmente ouvindo a trilha sonora, nos entregamos à nossas próprias lembranças. Enquanto eles buscam a fama, e não encontram, deparam-se com o conceito de amizade.

Amizade esta presente em tantas cenas, me lembro como se fosse hoje, eu pequeno, garoto gordinho deitado no sofá vendo esse filme, e sempre 3 cenas me chamaram muita atenção nele, a cena do trem sobre a ponte, com eles correndo, a cena das sangue sugas, e na cena onde eles encontram o cadáver, já em decomposição, onde há um close, levando os quatro garotos a se assustarem e principalmente se perguntarem, “e agora?”, eles foram em busca de algo que sabiam, encontraram, se assustaram, e não retornaram com o corpo, levaram de volta em suas bagagens o mais precioso dos bens, a amizade.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Doce novembro


357º dia / 9º filme

Filme: Doce novembro

Ano de lançamento: 2001

Direção: Pat O’Connor

Existem alguns filmes aterradores. Doce novembro é um deles, é um filme que tem problemas, como todos os outros, eu mesmo, ao re-assistir o filme alguns anos depois de lançado no cinema, pude encontrar algumas falhas, como por exemplo a câmera de segunda linha que foi usada para a película ser rodada, que lembra as câmeras da TV Record no início dos anos 1990, com uma imagem amarelada, sem graça, desfocada, estranha. Com doce novembro, mesmo com problemas tão primários como esse da câmera, não atrapalham em nada, absolutamente nada a narrativa. O filme continua sendo maravilhoso, meio piegas, mas nem por isso, menos encantador. O filme é mágico, sensacional!

A química do casal principal (Keanu Reeves e Charlize Theron), que fizeram, “O advogado do diabo”. Particularmente penso que o Keanu Reeves é mais bem aproveitado no “O advogado do diabo”, porque ele tem uma cara de mal, meio bombadinho, marrento, com a voz grossa demais para o personagem Nelson, fazendo contraponto à Nelson, Sara (Theron) é toda doçura, e que atriz multifacetada essa viu, de apaixonada apaixonante à operária de mina de carvão. Enquanto ela tem muita facilidade de representar vários personagens, ele é mais restrito, e nesse filme fica claro o motivo, pois ele tem dificuldade de interpretar personagens com cargas sentimentais muito grandes. Desta forma o casal ficou bastante interessante, por conta deste contraponto dos atores centrais.

O longa-metragem é uma refilmagem de um filme chamado “Toda a minha vida”, de 1968, e dá certo, a meu ver, por que o diretor aposta e fecha o foco, como pouco se vê no cinema, e é essa a grande jogada dele, o foco, a verticalização da trama, que gira entorno do amor sendo a grande razão para viver e o dinheiro não comprando a felicidade, e como bem sabemos, essa fórmula tratada com desvelo e carinho sempre dá muito certo.

A película permeia o drama, a comédia romântica e o romance em si. Não me arriscaria tentar enquadrá-lo em uma categoria única, pois não conseguiria, ele tem elementos clássicos do drama, sacadas interessantíssimas e muito elegantes , diga-se de passagem, da comédia romântica e elementos do romance. A película é muito bem amarrada com uma trilha sonora belíssima. Quem aposta que não sou fã de Enya, vai acertar em cheio, acho a voz dela melosa chatinha e cansativa, mas “Only time” interpretada por ela é surreal, e a sequência principal onde a música é utilizada é particularmente muito bonita.

O filme conta a história de um publicitário (Nelson) louco pelo trabalho, que se vê as vésperas de uma grande apresentação e tem a carteira de habilitação vencida, tendo que fazer um teste para a revalidação, durante o teste escrito chega uma hiponga derrubando tudo, e essa é Sara, a personagem de Theron, ele pede cola, e ela é tem a prova suspensa, ai a história passa pela mesmice de sempre até que eles se vêem envolvidos e ela conta que fica com um homem por mês, e propõe que ele seja o seu “novembro”, ele acaba aceitando, descobrindo que aceitando o trato quem dita as regras é ela, e ela propõe um desligamento do mundo, uma mudança de vida para Nelson. Vemos nessa parte específica do filme, cenas que são verdadeiros clichês do cinema, mas que ficaram lindas e muito bem amarradas ao enredo.

O curioso do filme, e que desperta crítica por parte dos espectadores, mas que eu admiro muito é a consciência que o diretor teve ao finalizar o mesmo, porque ele simplesmente termina como começou, do nada, pois o filme contextualiza uma realidade muito particular em um período definido, dando margem para pensamentos posteriores, mas sem tomar partido para qualquer um deles. Quando Nelson encontra os remédios de Sara, e ela explica que tem uma doença terminal, isso fica sensacional narrativamente falando, pois ao fim do mesmo, ela simplesmente some, não dando a entender nada, nem se ela morreu, nem que foi se tratar, ou que apenas fugiu.

A Charlize Theron tem um olhar que é expressão pura, uma boca linda, o Keanu é menos expressivo, mas é inegável que eles formaram um casal bonito, que você é capaz de torcer para que fiquem juntos. É um filme interessantíssimo, apaixonante, você tem vontade de assistir com alguém muito especial ao lado, torcendo junto com você pelo casal do filme.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Uma mente brilhante


358º dia / 8º filme

Filme: Uma mente brilhante

Ano de lançamento: 2001

Direção: Ron Howard

O Sr. Ron Howard não é um dos meus diretores favoritos, e muito deve ao fato de ter um espírito conciliador, ele não gosta de ver os personagens sofrendo, e isso me incomoda, falta drama em sua filmografia, mas isso não me impede de vê-lo como um excelente diretor, mas com uma ressalva, ao mesmo tempo que ele parece se sentir intimamente ligado a seus personagens e desta forma minimizar seus sofrimentos, ele consegue produzir safras inteiras de filmes que levam multidões aos cinemas, ou seja, ele produz filmes para vender, e infelizmente isso fica visível em alguns filmes de sua obra.

Uma mente brilhante é um filme bom, pelo diretor, obviamente, mas principalmente pelo seu roteirista, Akiva Goldsman, que conseguiu transformar um livro de quase 400 páginas (e que páginas cheias de referências e detalhes, o que faz com que a leitura se torne enfadonha) em um filme com pouco mais de 2 horas. A película, que conta a história do Nobel em Ciências econômicas que sofreu com a esquizofrenia durante toda sua vida foi retratada com zelo pela dupla Howard e Goldsman, tirando o foco da patologia, e desta forma não colocando a mesma como grande coadjuvante, você só percebe, e acredita realmente que os fatos são fruto da imaginação de Nash ao fim da película quando ele faz uma constatação que aos nossos olhos, de meros espectadores, passa despercebida.

Chamo atenção neste filme em particular, não para seu diretor e roteirista, embora todas as honras e méritos sejam válidos (e diga-se de passagem, até uma chacota pelo excesso de viés capitalista), a ESTRELA do filme é Russel Crowe, que vem mostrando desde Gladiador que merece estar no seleto grupo de atores nº 1 de Hollywood. Chamo atenção também para os figurinos e caracterização. Muitos podem ver o filme e ao término ter uma sensação estranha, que não se consegue definir. Meus caros, esta é a sensação ante uma grande obra.

Akiva Goldsman

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O silêncio dos inocentes


359º filme / 7º dia

Filme: O silêncio dos inocentes

Ano de lançamento: 1991

Direção: Jonathan Demme

Se um dia eu crescer, e que fique bem claro que não tenho esse sonho, quero ser o Dr. Hannibal Lecter!

Tanto no livro quanto no filme a frieza, elegância e requinte deste vilão é cativante. Antony Hopkins rouba toda a cena, sendo eleito o assassino mais querido da América. Ele conseguiu captar que um filme de terror não necessariamente carece de corpos e mais corpos. Lecter nos envolve com suas sutilezas e seu terror psicológico de tal forma, que quando você tenta dormir, simplesmente não consegue, voltam ao pé do ouvido os sussurros com uma voz grave e suave “Clarice...”, “Quid pro quo Clarice...” e você se lembra da narrativa do filme, das ovelhas e depois dos cavalos, que pairaram nos sonhos de Clarice Starling, e quando se dá conta, percebe que inconscientemente este serial killer já lhe está dentro de sua mente, mas de forma peculiar ele não é assustador a princípio, ele torna-se assustador. O monstro se revela aos poucos.

O filme conta a história de uma investigadora do FBI (Clarice Starling) que para solucionar uma série de assassinatos de Bufalo Bill, que tem como hobby retirar faixas de pele de suas vítimas, com um propósito surreal, se vê obrigada a fazer uma série de entrevistas com o Pisquiatra Dr. Hannibal Lecter, que se encontra preso em uma espécie de sanatório, por conta de atos “socialmente recrimináveis”, mas como ele nos dá a entender, “artisticamente justificáveis”. No ínterim dos encontros entre Hannibal e Clarice ele consegue fugir atacando ferozmente (no sentido literal da palavra) um policial, e ao analisar as conversas que teve com Lecter, Clarice percebe que o Dr. disse muito mais do que ela havia pensado que ele havia dito exatamente o que ela queria ouvir, não exatamente da forma que ela esperava, mas disse, fazendo desta forma que ela solucionasse o caso Búfalo Bill e enquanto o FBI se ocupa com Búffalo Bill Dr. Lecter consegue fugir .

Não vale apena a pena tentar descrever o filme, pois não conseguirei, a película é um duelo de titãs, de um lado Antony Hopkins, de outro Jodie Foster. Se existe algo que eu possa dizer é VEJAM O FILME E NÃO SE ARREPENDAM, pois no ano de seu lançamento o filme angariou todos os mais importantes prêmios do cinema, do Oscar norte americano ao César frances.

“As cicatrizes nos ajudam a lembrar que o passado foi real”

Hannibal Lecter

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

As Horas


360º filme / 6º dia

Filme: As horas

Ano de lançamento: 2002

Direção: Stephen Daldry

Digam o que quiserem, onde tem Maryl Streep a cena é roubada mesmo. Com Julianne Moore ou a lindíssima (que atualmente anda muito botocada) Nicole Kidman, que por sinal ganhou o Oscar por sua atuação, As horas não é um dos filmes mais fáceis de se ver, é pausado, cortado e se passa em 3 períodos diferentes (fim do século XIX, década de 50 e dias atuais). O filme é baseado no Romance de Virginia Woolf (que por sinal é lento e minusciosamente detalhista).

Nicole Kidman ganhou a meu ver o Oscar desmerecidamente, com sua interpretação truncada e fria da autora inglesa, o que eu vi nesta interpretação (de uma atriz, já conhecida, foi o desespero por uma estatueta dourada, ela esbanjou talento, esfregando na cara dos críticos que consegue atuar em qualquer tipo de filme) não me agradou, mas fiquei feliz com a caracterização de Nicole em Virginia (por mais que eu ache a Nicole LINDA, adorei vê-la desarrumada, despenteada, suja, com vestidos largos e poucos provocantes e um nariz irreconhecível, nesse momento exerci meu sadismo de fã). Julianne Moore é carismática, excelente atriz, mas particularmente, o papel não ficou interessante, ela é muito atual, tem estampado na cara a revolução sexual, a independência feminina, não ficou legal, mas repito a atuação foi sensacional. E o que falar de Marryl Streep, Todas as honras para essa diva do cinema mundial, sempre e ouso dizer que desde os anos 1980 ela teve pouquíssimos deslizes.

O roteiro do filme é complexo, porém por alto, é uma mulher (Clarice) preparando uma festa, o dia todo, desde o despertar até o pós-festa, falando desta forma pode parecer simplista, mas o que menos há aqui é a superficialidade, o filme consegue retratar as angústias dos personagens, suas expectativas e desilusões, o diretor funde na peça fílmica a gênese de “Mrs. Dalloway”, no século XIX, pela senhora Woolf (e quem minimamente conhece a biografia desta grande literata, sabe que escrever atormentada por imagens do subconsciente era uma constante para Virginia), a segunda personagem, interpretada por Moore é a de uma dona de casa norte americana dos anos 1950 atormentada com suas frustrações e expectativas pessoais e sendo influenciada pela leitura do romance, e Marryl Strepl, que é a Clarice, dos dias atuais, Mulher, bem resolvida sexualmente, que tenta a todo custo organizar uma festa para um amigo, por conta de um livro.

O filme fora feito com aquela vontade de dar certo, por todos da equipe, aquele esmero que vemos tão pouco no cinema, tudo colaborou para que este filme figure no Hall dos grandes filmes da vida de qualquer um.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Rebeldes e heróis


361º dia / 5º filme

Título: Rebeldes e heróis

Ano de lançamento: 1991

Direção: Daniel Petrie Jr.

Todas as pessoas que eu eventualmente já comentei sobre esse filme sempre disseram que ele é sem graça, mal feito, com um roteiro fraco, dentre outras coisas que particularmente, considero uma deselegância, principalmente com determinados filmes, que se vistos hoje, ano 2011, devem passar pelo crivo da temporalidade, ou seja, o que ele representa hoje, em relação ao ontem?

O filme de Petrie Jr. Se encapsula em uma redoma de mundo aparentemente perfeito, da elite da sociedade norte-americana, de fim dos anos 1980 e início da década de 90, porém a película consegue mostrar-nos algumas “rachaduras” na perfeita fachada de verniz da família americana. Os conflitos são latentes, uma geração sem heróis, que elege seus vilões de acordo com o momento e que enfrenta todas as neuroses da tresloucada pós-modernidade.

O filme conta a história de um grupo de adolescentes da elite norte-americana, que estudam em um grande colégio interno, que acaba sendo invadido por narco-guerrilheiros, com o objetivo de conseguir a liberação de um dos chefões do tráfico, que foram presos. Depois dos costumeiros entraves o colégio é salvo com a ajuda de um dos alunos, o que é considerado um caso perdido.

O filme de fato não inaugura nenhuma nova forma narrativa, não trabalha com planos inovadores de imagem, é um filme retilíneo, onde tudo que o espectador prevê, acontece, porém, visto hoje, por quem o viu quando estava entrando na adolescência e pensava que salvaria o mundo com as típicas crises da idade, o filme ganha um valor sentimental.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Elvira, a rainha das trevas


362º dia / 4º filme

Título: Elvira, a rainha das trevas

Ano de lançamento: 1998

Direção: James Signorelli

Elvira, certamente figura na lista dos blockbusters mais trash dos anos 1990, mas que atire a primeira pedra quem não deu boas risadas com essa mulher “diferente”. Elvira representa a entrada nos anos 2000 com a febre crescente das cadeias de comida industrializada e dos fast foods. Com seu estilo punk-gótico-masoquista. O corpo estranho (e gostoso) na pacata e sem graça cidade do interior americano. Elvira rompeu barreiras nos alertando que “os loucos anos 2000 estão batendo a porta, preparem-se”.

A princípio a personagem de Cassandra Peterson é a esquisitona com boas cochas e peitos suculentos, péssima apresentadora de um programa que comenta de filmes vagabundos, que por desentendimento com o novo dono da emissora acaba desempregada, e como tem o sonho de se tornar uma grande dançarina Vegas, mas não tem dinheiro algum, Elvira descobre que herdara a fortuna de sua tia-avó, para, mas para tê-la deve rumar para a cidade onde a mesma morava, nesta cidade, Elvira revoluciona o pensamento jovem, e com isso angaria uma legião de desafetos.

O filme de Signorelli é o tipo clássico para a TV aberta, é um filme simpático, que tenta estabelecer algum contato, ora pela linguagem, ora pelas cores, com a juventude dos anos 1990, sem uma estrutura emocional claramente perceptível na narrativa o filme é vago, com um apelo sexual muito forte para o tipo de filme que a película resulta, não obstante as incoerências e deslizes (e são muitos) o filme remete à minha geração, a dos anos 1990, ou como dizia Renato russo, a geração Coca-Cola, um sentimento de pertença, um saudosismo muito bom em relação aos tempos em que não tínhamos tantas responsabilidades.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Para sempre Lilya


363º dia / 3º filme

Título: Para sempre Lilya

Ano de lançamento: 2002

Direção: Lukas Moodysson

A canção “Balada de Gisberta”, de Pedro Abrunhosa, dentre outras coisas me lembra, em determinados momentos o filme de produção sueca “Para sempre Lilya”. Enquanto na música de Abrunhosa, que é baseada em um violento assassinato que abalou Portugal, o filme baseia-se no drama da vida de uma garota de 16 anos, Lilya, jovem russa que é abandonada pela mãe e se vê a mercê do acaso numa Rússia totalmente devastada pelos anos de URSS e as inúmeras crises internas e externas que enfrentara enquanto potência política e militar opositora ao capitalismo.

A Cor predominante no drama de Moodyson é o cinza, de um país arrasado, sem expectativas, de uma população sem perspectiva alguma e de situação precária. É neste mundo caótico, digno de filmes catástrofe que nossa protagonista se encontra. Uma linda garota, que por conta do atraso social do país e de instrução, a vejo como uma jovem qua acaba de entrar na adolescência, que começa a descobrir-se, mas não tem tempo, nem maturidade suficiente para conseguir se compreender. O filme inicia com Lilya sendo abandonada pela mãe (única referência de família que ela tinha), a mãe a abandona para tentar a vida com um namorado nos Estados Unidos, sendo Lilya obrigada a viver com a tia, que a ceifa da beleza e frescor da juventude, a tratando com descaso e grosseria. Falando assim imagina-se que o filme repete o roteiro deste gênero fílmico, mas não.

A vida de Lilya resume-se a tentar viver como pode, de forma marginal, literalmente, por exclusão e falta de oportunidades, oportunidades estas que nem lhe foram dadas a saber. Lilya nunca soube o que era ser feliz, ela teve fragmentos de expectativas de felicidade, que a levaram para o mundo das drogas e da prostituição, onde sofre toda a crueldade que se é possível e imaginável.

A experiência mais próxima de uma amizade acontece aparentemente, por uma falta de oportunidade e um, a meu ver, desespero e despreparo mútuo, pois lembremos, Lilya mentalmente acaba de entrar na adolescência, ela é mulher em uma sociedade desestruturada e machista, portanto, sem conhecimento sobre o que é crescer. Por outro lado seu amigo, de 11 anos, Volodya, mesmo sendo 5 anos mais jovem que a personagem central, em muitos momentos consegue ter uma sensatez infinitamente maior que Lilya.

Este filme é uma das grandes preciosidades que o cinema é capaz de produzir, o diretor funde contos de fadas, demonstrando as esperanças e sonhos de uma geração, confrontados com a realidade, que não se aproxima, mas se concretiza como fábula macabra, e nós enquanto meros espectadores na cena final, quando Lilya se suicida, finalmente respiramos aliviados e pensamos, “Por quê ela não fez isso antes? Por qual motivo ela optou por tentar tanto assim? Até que ponto o nonsense faz as pessoas seguirem em frente? Ela tinha a real noção de tudo o que estava acontecendo? O diretor não usa de meias metáforas ou imagens vagas para fazer uma crítica social, ele esfrega na nossa cara toda a dor e as esperanças frustradas, fazendo com que terminemos de ver o filme nauseados de fazermos parte da mais nojenta e repulsiva espécie que existe. A humana.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Onde os fracos não tem vez


364º dia / 2º filme

Título: Onde os fracos não tem vez

Ano de lançamento: 2007

Direção: Irmãos Coen

Sei lá, hoje acordei meio estranho, com vontade de fazer algo que nunca fiz, e para ser sincero, sempre achei ridículo e desnecessário. Estou com vontade de ir a um barzinho, se possível com minha amiga Camila, pois ela se sente afetivamente ligada a este tipo específico de musicalidade, pois bem, estou com vontade de ir para um barzinho, beber cerveja vagabunda, e ouvir/cantar musica sertaneja, ex. “Nuvem de lágrimas”, “Fio de cabelo” e por ai vai. Como realmente não consigo me imaginar fazendo isso, melhor me sentar na frente do computador e escrever um pouco para usteds (rsrs).

Os irmãos Coen, são meio doidos, eles demoraram para conseguir ter alguma visibilidade como cineastas sérios, e para ser sincero, ainda são tidos, pelo menos por mim como excelentes cineastas, isto é indubitável, porém, meio sacanas, eles gostam de mostrar em suas produções, com um cinismo imenso, como nós somos hipócritas, essa característica deles fora em parte encoberta no filme “Onde os fracos não te vez”, que vou dividir algumas impressões com vocês.

O filme se passa em meados da década de 1980 no deserto americano, quando um cara encontra um homem morto com uma mala cheia de dinheiro, ele pega a mala e sai de lá, e a partir disso um assassino doidão, interpretado pelo Javier Bardem começa a seguir as pistas deixadas pelo primeiro carinha, só que existe nessa província um xerife durão, alá filmes dos anos 1940, interpretado pelo Tommy Lee Jones, a partir desse ponto o filme corre hora por caminhos que já são esperados, e com algumas reviravoltas imaginadas somente pelos Coem o filme tem um final inesperado. Dito isso pensa-se que são reviravoltas previsíveis, mas não, o filme surpreende em todos os aspectos, tanto no roteiro como nas atuações, e que atuações.

O Javier Bardem está irreconhecível, com uma chapinha brutíssima nos cabelos e uma cara de paisagem assombrada que seria capaz de assustar cachorro doido, com um olhar vago, frio e sem brilho ele segue em frente, matando quem entra no caminho como se estivesse tomando suco de laranja. Some-se a esse fato (um assassino tresloucado e extremamente frio e inexpressivo, e acho que justamente por sua inexpressividade que ele denota tanta frieza). Some a esta frieza do personagem que mais aparece a paisagens áridas, secas, sem vida e a planos visuais, hora muito abertos, hora muito fechados e o que seria o personagem “bonzinho” do filme, que roubou a mala do morto com um rosto vincado pelo tempo, com cara de sofrido mesmo, e o Tommy Lee, também com uma expressividade latente, como o Xerife determinado a conseguir o que se propôs. Some isso ao assassino, que não tem expressões faciais que não demonstra que gosta nem que não gosta de matar, ele simplesmente mata, sem preconceito algum.

Resumindo, o filme é uma grande crítica social, onde o bom nem sempre é bom, onde a justiça tem um passado nada honroso e a morte ou a vida não significam muita coisa. Com esse filme os Irmãos Coem, pelo menos para mim, se firmaram como grandes provocadores, mas com provocações adultas, que esfregam na nossa cara o quanto nós pedimos pelo que nos acontece.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Titanic


365º dia / 1º filme

Título: Titanic

Ano de lançamento: 1997

Direção: James Cameron



Se não estou enganado “Titanic” foi o primeiro filme que tive o prazer de ver no cinema, tinha 9 anos na época e me lembro que o cinema que fui era um pulgueiro, com uma única sala, sem estrutura alguma. E neste dia, para ser mais expecífico, sabe-se lá por que ‘cargas d’agua’, foram vendidos ingressos além da conta, minha tia sentou-se numa poltrona, me lembro como se fosse hoje, ao lado de um senhor gordo, que usava uma camisa com listras pretas, e na poltrona (que era de couro, ou um material parecido com couro, detalhe, vermelho). Bom, resumindo, não tinham poltronas vagas e eu vi o filme sentado no chão, e que filme...

Como se não bastasse toda uma geração ter sido marcada pelo estrondoso sucesso que o filme fez, e faz até hoje, o que comprova isso é a remasterização e a transposição do ‘2D’ para o formato ‘3D’, que está previsto para lançamento esse ano.

O filme nos conquista pela grandiosidade, e se olhado hoje, com mais calma, tendo deixado a poeira abaixar e o frisson do momento se acalmar, percebo que o filme teve seus méritos, sim, porém não por ser inovador, diferente, ou algo assim. O filme conquista nos minutos iniciais, quando a velhinha simpática começa a contar a história. Nossa sociedade tem muita afinidade com cachorrinhos, judeus* e velhinhas (mais ainda se os olhos das velhas forem grandes e azuis). Se o filme inicia com as lembranças da senhora de belos olhos, ao término dele (sejamos realistas, puta que o pariu, o filme tem mais 3 horas de duração) estamos totalmente entregues, com a sensação de torpor, propiciada pelo assento, e pelo drama dos personagens centrais (Ohh Jack.. Rose...). Filha de uma vaca! A Rose tinha a obrigação de ter derrubado alguém de uma porta e dado ela para o Jack. Quando ele tava comendo ela, foi tudo lindo, mas quando ele tava se fudendo (no mal sentido) ela fica lá tremendo. Não me convenceu!

Como diz a Isabela Boscov**, o James Cameron é o diretor que mais entende a máquina, os roteiros são sempre muito simples, porém a forma que ele trata as máquinas, como se elas não tivessem fluído de freio, mas sim sangue, como se fossem organismos vivos. Justamente por isso, ficamos boquiabertos com seus filmes. Jack e Rose e o escambal, o personagem principal do filme é o próprio navio, a história é bonitinha, as atuações convencem na medida, com alguns momentos desnecessários o filme fica grande demais, mas nem por isso menos hipnótico, somos convidados a nos jogar de ponta cabeça nos olhos de Rose, com 101 anos e mergulhar em suas lembranças, e ao vê-las emolduradas ao hit de Celine Dion, vemos não o filme em si, mas a grandiosidade de nossas utopias pessoais concretizadas em algumas toneladas de ferro, o Titanic.


*Arnaldo Jabor que disse.

** Crítica de cinema da Revista Veja.

Filmes...

Tem quem goste de drama, suspense, romance, terror (Buhhh!) comédia, ou qualquer outra categoria que as películas fílmicas são encaixadas, por vezes de forma errônea. Não obstante estas definições, algumas categorias me atraem mais que outras, não pela divisão propriamente dita, mas pela qualidade de filmes, pelo maior esmero de determinados conjuntos de profissionais do cinema (não se enganem, o cinema não se restringe a uma idéia legal, aos atores e o diretor) que normalmente produzem filmes que são enquadrados nestas subdivisões. Gosto de bons filmes (obviamente o que classifico como bom, vale apenas para mim), ponto final.

Resumindo, o cinema nos faz sonhar, e sonhando, vivemos. E por isso, plagiando o filme “Julie e Julia”, me proponho, durante 1 ano comentar 1 filme por dia.