sábado, 29 de janeiro de 2011

Conta comigo


356º dia / 10º filme

Filme: Conta comigo

Ano de lançamento: 1986

Direção: Rob Reiner

Enquanto o livro “o apanhador no campo de centeio” prioriza os dilemas e conflitos de uma geração citadina, o conto “O corpo” de Stphen King, traduz, a meu ver o que seria o retrato da geração do pós guerra, no campo. Uma geração, pobre, sem expectativas, em meio a um núcleo social atrasado e desiludido, esquecido pelo progresso. Com um roteiro aparentemente muito simples, mas que por conta de nossas lembranças, de amigos que já fizeram ou que ainda fazem parte de nossas vidas. O roteiro torna-se complexo, denso, coeso e sem pausas, ao fim da projeção que você para e relembra, a partir dos referenciais que cada qual traz consigo, assim como Stephen King a meu ver, traz muito de sua biografia para o conto.

Em uma sociedade mínima, com pouco mais de 1200 habitantes, onde 4 amigos resolvem se juntar para procurar um corpo de um garoto da mesma idade deles que desapareceu ,em busca de visibilidade social (odeio esta expressão, mas usemos assim mesmo). Eles saem em busca desse corpo, cada um inventa uma desculpa para sua família, só que nesta viagem em busca do corpo, que eles encontram ao fim, eles descobrem muito mais, encontram o significado da amizade. O diretor consegue traçar o que seria a visão, o olhar daquela juventude sobre sua própria adolescência.

O filme é um clássico da Sessão da tarde, prioritariamente ele é um retrato de jovens, e prioriza dobre tudo a amizade. É narrado em primeira pessoa por um dos garotos, já na velhice, como grande escritor. Stephen King traduz em seu conto, que é adaptado maravilhosamente para as telas, a personificação de uma geração, onde os laços de amizade constituem-se à medida que a confiança é enaltecida e na medida que eles passam a acreditar mais nos uns nos outros, pois confiando mais nos amigos, eles tornam-se mais auto-confiantes. E esses laços são constituídos, tanto na tela, quanto para nós, espectadores, pois à medida que vamos vendo e principalmente ouvindo a trilha sonora, nos entregamos à nossas próprias lembranças. Enquanto eles buscam a fama, e não encontram, deparam-se com o conceito de amizade.

Amizade esta presente em tantas cenas, me lembro como se fosse hoje, eu pequeno, garoto gordinho deitado no sofá vendo esse filme, e sempre 3 cenas me chamaram muita atenção nele, a cena do trem sobre a ponte, com eles correndo, a cena das sangue sugas, e na cena onde eles encontram o cadáver, já em decomposição, onde há um close, levando os quatro garotos a se assustarem e principalmente se perguntarem, “e agora?”, eles foram em busca de algo que sabiam, encontraram, se assustaram, e não retornaram com o corpo, levaram de volta em suas bagagens o mais precioso dos bens, a amizade.

Um comentário:

  1. Interessante e ao msm tempo intrigante a visão apresentada neste texto acerca da sociedade no pós-guerra.

    Instigou-me a assistir e atentar para o filme.

    Abraço cordial,

    ÁZARA, T. A.

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