
363º dia / 3º filme
Título: Para sempre Lilya
Ano de lançamento: 2002
Direção: Lukas Moodysson
A canção “Balada de Gisberta”, de Pedro Abrunhosa, dentre outras coisas me lembra, em determinados momentos o filme de produção sueca “Para sempre Lilya”. Enquanto na música de Abrunhosa, que é baseada em um violento assassinato que abalou Portugal, o filme baseia-se no drama da vida de uma garota de 16 anos, Lilya, jovem russa que é abandonada pela mãe e se vê a mercê do acaso numa Rússia totalmente devastada pelos anos de URSS e as inúmeras crises internas e externas que enfrentara enquanto potência política e militar opositora ao capitalismo.
A Cor predominante no drama de Moodyson é o cinza, de um país arrasado, sem expectativas, de uma população sem perspectiva alguma e de situação precária. É neste mundo caótico, digno de filmes catástrofe que nossa protagonista se encontra. Uma linda garota, que por conta do atraso social do país e de instrução, a vejo como uma jovem qua acaba de entrar na adolescência, que começa a descobrir-se, mas não tem tempo, nem maturidade suficiente para conseguir se compreender. O filme inicia com Lilya sendo abandonada pela mãe (única referência de família que ela tinha), a mãe a abandona para tentar a vida com um namorado nos Estados Unidos, sendo Lilya obrigada a viver com a tia, que a ceifa da beleza e frescor da juventude, a tratando com descaso e grosseria. Falando assim imagina-se que o filme repete o roteiro deste gênero fílmico, mas não.
A vida de Lilya resume-se a tentar viver como pode, de forma marginal, literalmente, por exclusão e falta de oportunidades, oportunidades estas que nem lhe foram dadas a saber. Lilya nunca soube o que era ser feliz, ela teve fragmentos de expectativas de felicidade, que a levaram para o mundo das drogas e da prostituição, onde sofre toda a crueldade que se é possível e imaginável.
A experiência mais próxima de uma amizade acontece aparentemente, por uma falta de oportunidade e um, a meu ver, desespero e despreparo mútuo, pois lembremos, Lilya mentalmente acaba de entrar na adolescência, ela é mulher em uma sociedade desestruturada e machista, portanto, sem conhecimento sobre o que é crescer. Por outro lado seu amigo, de 11 anos, Volodya, mesmo sendo 5 anos mais jovem que a personagem central, em muitos momentos consegue ter uma sensatez infinitamente maior que Lilya.
Este filme é uma das grandes preciosidades que o cinema é capaz de produzir, o diretor funde contos de fadas, demonstrando as esperanças e sonhos de uma geração, confrontados com a realidade, que não se aproxima, mas se concretiza como fábula macabra, e nós enquanto meros espectadores na cena final, quando Lilya se suicida, finalmente respiramos aliviados e pensamos, “Por quê ela não fez isso antes? Por qual motivo ela optou por tentar tanto assim? Até que ponto o nonsense faz as pessoas seguirem em frente? Ela tinha a real noção de tudo o que estava acontecendo? O diretor não usa de meias metáforas ou imagens vagas para fazer uma crítica social, ele esfrega na nossa cara toda a dor e as esperanças frustradas, fazendo com que terminemos de ver o filme nauseados de fazermos parte da mais nojenta e repulsiva espécie que existe. A humana.
Tá ai, não conhecia esse filme. A história parece ser bem interessante... Gosto muito de filmes nesse estilo, vai ser o próximo q vou ver!
ResponderExcluir=D