sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Onde os fracos não tem vez


364º dia / 2º filme

Título: Onde os fracos não tem vez

Ano de lançamento: 2007

Direção: Irmãos Coen

Sei lá, hoje acordei meio estranho, com vontade de fazer algo que nunca fiz, e para ser sincero, sempre achei ridículo e desnecessário. Estou com vontade de ir a um barzinho, se possível com minha amiga Camila, pois ela se sente afetivamente ligada a este tipo específico de musicalidade, pois bem, estou com vontade de ir para um barzinho, beber cerveja vagabunda, e ouvir/cantar musica sertaneja, ex. “Nuvem de lágrimas”, “Fio de cabelo” e por ai vai. Como realmente não consigo me imaginar fazendo isso, melhor me sentar na frente do computador e escrever um pouco para usteds (rsrs).

Os irmãos Coen, são meio doidos, eles demoraram para conseguir ter alguma visibilidade como cineastas sérios, e para ser sincero, ainda são tidos, pelo menos por mim como excelentes cineastas, isto é indubitável, porém, meio sacanas, eles gostam de mostrar em suas produções, com um cinismo imenso, como nós somos hipócritas, essa característica deles fora em parte encoberta no filme “Onde os fracos não te vez”, que vou dividir algumas impressões com vocês.

O filme se passa em meados da década de 1980 no deserto americano, quando um cara encontra um homem morto com uma mala cheia de dinheiro, ele pega a mala e sai de lá, e a partir disso um assassino doidão, interpretado pelo Javier Bardem começa a seguir as pistas deixadas pelo primeiro carinha, só que existe nessa província um xerife durão, alá filmes dos anos 1940, interpretado pelo Tommy Lee Jones, a partir desse ponto o filme corre hora por caminhos que já são esperados, e com algumas reviravoltas imaginadas somente pelos Coem o filme tem um final inesperado. Dito isso pensa-se que são reviravoltas previsíveis, mas não, o filme surpreende em todos os aspectos, tanto no roteiro como nas atuações, e que atuações.

O Javier Bardem está irreconhecível, com uma chapinha brutíssima nos cabelos e uma cara de paisagem assombrada que seria capaz de assustar cachorro doido, com um olhar vago, frio e sem brilho ele segue em frente, matando quem entra no caminho como se estivesse tomando suco de laranja. Some-se a esse fato (um assassino tresloucado e extremamente frio e inexpressivo, e acho que justamente por sua inexpressividade que ele denota tanta frieza). Some a esta frieza do personagem que mais aparece a paisagens áridas, secas, sem vida e a planos visuais, hora muito abertos, hora muito fechados e o que seria o personagem “bonzinho” do filme, que roubou a mala do morto com um rosto vincado pelo tempo, com cara de sofrido mesmo, e o Tommy Lee, também com uma expressividade latente, como o Xerife determinado a conseguir o que se propôs. Some isso ao assassino, que não tem expressões faciais que não demonstra que gosta nem que não gosta de matar, ele simplesmente mata, sem preconceito algum.

Resumindo, o filme é uma grande crítica social, onde o bom nem sempre é bom, onde a justiça tem um passado nada honroso e a morte ou a vida não significam muita coisa. Com esse filme os Irmãos Coem, pelo menos para mim, se firmaram como grandes provocadores, mas com provocações adultas, que esfregam na nossa cara o quanto nós pedimos pelo que nos acontece.

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